Nas contas mais recentes apresentadas, a Porsche registou números preocupantes nos primeiros nove meses de 2025. O lucro operacional caiu 99 por cento, de 4.035 mil milhões para 40 milhões de euros.
No mesmo período, as despesas extraordinárias foram de 2,7 mil milhões de euros, havendo também menos receitas das vendas e um menor lucro líquido. Num tom menos preocupante, o prejuízo operacional da atividade automóvel baixou de 3,999 mil milhões para 228 milhões de euros, por comparação com igual período do ano passado.
Oliver Blume, que saiu do cargo de diretor-executivo no passado dia 1 de janeiro, explicou recentemente ao Frankfurter Allgemeine Zeitung o que se está a passar na marca do Grupo Volkswagen e justificou a quase ausência de lucros projetada para 2025.
O alemão afirmou: “A Porsche tem um claro compromisso com a Alemanha como local de produção. Este é o principal motivo da situação atual. Exportamos 100 por cento dos nossos produtos da Europa”.
O fabricante de Estugarda teve de lidar com uma forte quebra do mercado de automóveis de luxo na China e com as pesadas tarifas de importação que Donald Trump impôs nos Estados Unidos da América em 2024. Estes são os maiores mercados individuais da Porsche em todo o mundo.
Segundo Oliver Blume, o contexto custa uma quebra de vendas superior a 50 por cento. E os efeitos são nefastos: “O prejuízo resultante está a pôr-nos sob extrema pressão financeira”, assumiu.
Mas há mais. A Porsche teve de colocar um travão na sua estratégia de eletrificação da gama, incluindo o adiamento de modelos previstos. Um realinhamento estratégico que deverá custar 3,1 mil milhões de euros nas contas finais de 2025.
O agora antigo dirigente da marca comentou: “Os mercados para a mobilidade elétrica não se desenvolveram como o esperado. Perante este cenário, realinhámos a Porsche em 2025. Registámos deliberadamente todas as despesas necessárias para este realinhamento na totalidade em 2025”.
A Porsche também está a debater com os representantes dos funcionários eventuais medidas futuras, num processo que deverá continuar ao longo de 2026 – já sob liderança de Michael Leiters. Oliver Blume sublinhou: “A qualidade precede a velocidade. Teremos de esperar pelos resultados. No entanto, é claro que a Porsche tem de continuar a fazer esforços“.
