Depois de já ter ajudado o campeão mundial Alexandre Pinto (Polaris), ao ceder-lhe um amortecedor numa das primeiras tiradas da prova, na sexta-feira, no decurso da sexta etapa, que antecedeu o dia de descanso que hoje se vive no ‘bivouac’ [acampamento], Bruno Morais teve de rebocar dois dos compatriotas, permitindo que continuassem em prova.
“Ontem [sexta-feira] já parti muito atrás devido aos problemas que sofri no segundo dia, quando parti a caixa de velocidades. Durante a noite, ainda tirei das dunas o Hélder Rodrigues, que tinha partido o motor. A três quilómetros do fim da etapa, apanhei o Alexandre Pinto, que tinha partido a caixa de velocidades”, explicou À agência Lusa Bruno Martins.
O piloto da Marinha Grande rebocou o campeão mundial “até ao final da etapa”.
“Depois, acabámos por trazê-lo na ligação de 270 quilómetros até à assistência, para poder continuar em prova”, frisou, brincando que parecia “uma empresa de reboques”.
Nada que atrapalhe o antigo campeão nacional de todo-o-terreno (2017).
“Faz parte. Faço-o com todo o gosto. Somos portugueses e termos um campeão do mundo não é tarefa fácil. Temos o prazer de o poder ter. As nossas funções aqui são as de ajudar”, apontou, já mais a sério.
Com 44 anos cumpridos já em pleno Dakar, no passado dia 05, Bruno Martins admite ter “uma personalidade um pouco diferente”.
“Somos todos portugueses e somos uma equipa. É com essa entreajuda que conseguimos chegar mais além. Se tivermos uma equipa forte no Dakar, os portugueses conseguem chegar mais longe”, garante.
Apesar de estar mentalizado que o seu papel nesta edição do Dakar seria a de ‘mochileiro’ de pilotos como João Dias ou Hélder Rodrigues, ambos da Santag, lamenta os problemas mecânicos que o atrasaram irremediavelmente.
“O Dakar é uma paixão antiga. Esta era umas principais vertentes do meu trabalho aqui. Quanto mais à frente estiver, mais rápido é o socorro”, explica o piloto leiriense, que já tinha participado no Dakar na América do Sul, em 2019.
Hélder Rodrigues já tinha dada a etapa por terminada quando viu surgiu o ‘anjo da guarda’.
“Nunca tinha ficado no deserto. Percebi que ninguém nos ia rebocar. Quando chegou o Bruno já tinha jantado e estava deitado na areia. Ele ajudou-nos a tirar de lá o carro”, contou à agência Lusa.
O piloto natural de Sintra vai, agora, “tentar lutar por vencer etapas”, pois o tempo perdido já não lhe permite aspirar a um bom lugar à geral. “Para mim, o mínimo é lutar pelos cinco primeiros. Não faz muito sentido andar a lutar por um 10.º ou um 15.º”, frisou.
Hoje cumpre-se o dia de descanso da 48.ª edição, após seis etapas disputadas. A competição é retomada no domingo, com uma tirada entre Riade e Wadi Ad Dawasir, com 462 quilómetros cronometrados.
