Está para breve a assinatura de um novo acordo comercial histórico entre a União Europeia e a Mercosul – que representa as economias sul-americanas. Será a 17 de janeiro.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, vão marcar presença na cerimónia que acontecerá no Paraguai.
O entendimento, que estava a ser negociado há cerca de 25 anos, prevê o reforço da cooperação entre os dois blocos em diversas áreas.
Estão previstas “reduções tarifárias e a abertura de acesso a novos mercados” para diversos produtos, com o setor automóvel a ser um dos favorecidos – como se pode ler num comunicado lançado na semana passada pelo Conselho Europeu. Está prevista a eliminação faseada ao longo de 15 anos de tarifas do Mercosul a 91 por cento dos bens que importa da UE, com a indústria automóvel abrangida. No sentido oposto, o bloco europeu compromete-se a fazer o mesmo sobre 91 por cento dos produtos sul-americanos em dez anos.
O acordo vai, pois, levar a uma redução considerável das tarifas impostas ao setor automóvel – que atualmente são de até 35 por cento para veículos de passageiros e de 14 a 18 por cento para peças.
A Associação de Construtores Automóveis Europeus (ACEA) fala da quebra de “barreiras técnicas ao comércio e ao reforço das cadeias de fornecimento de materiais primários críticos”, enquanto a associação alemã VDA espera novas oportunidades de exportação para os países Mercosul.
E, de acordo com a XTB, uma das empresas que mais benefícios pode colher é da indústria automóvel – a Stellantis, fabricante para o qual a América do Sul representa milhares de milhões de euros em receitas.
Tudo num mercado potencialmente chave para o setor automóvel europeu e para as suas exportações – quando enfrenta a política tarifária e imprevisibilidade da gestão de Donald Trump nos Estados Unidos da América e o forte aumento da concorrência local na China.
Também as matérias-primas estão abrangidas pelo acordo, que deste modo tem aqui outra via para beneficiar a indústria automóvel do Velho Continente – cimentando a sua resiliência graças ao diversificar das cadeias de fornecimento.
E, diz a ACEA, o acordo poderá levar a “um triplicar das exportações de produtos automóveis fabricados na UE até 2040“.
Posto isto, e apesar da assinatura prevista para sábado, o acordo terá de ter o aval do Parlamento Europeu e de ser ratificado por todos os Estados-membro da União Europeia antes de poder entrar em vigor.
A Mercosul congrega Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.
