A Polestar é um dos fabricantes automóveis que se destaca por ter apenas modelos 100 por cento elétricos. Já presente em Portugal, registou um número recorde de vendas no ano passado e tem planos concretos para os próximos tempos.
O Auto ao Minuto teve a oportunidade de entrevistar Miguel Pinto, diretor-geral da Polestar Portugal, num trabalho que abordou estes números, a evolução desde 2022 (que até assistiu a uma mudança do perfil de cliente) e o futuro da marca. Pode ler tudo neste artigo.
Em 2025, a Polestar atingiu um recorde anual de matrículas em Portugal. Que leitura faz destes números?
2025 foi um ano fantástico para a Polestar Portugal. Foi o nosso terceiro ano consecutivo de crescimento e o primeiro ano em que superámos a fasquia das 500 unidades o que representou uma subida de 69 por cento em relação ao ano anterior. 2025 foi o ano em que, na nossa opinião, deixámos de ser um nome emergente para nos assumirmos como marca consolidada no segmento elétrico premium em Portugal.
Que fatores estão por trás deste crescimento de 69 por cento entre 2024 e 2025?
Penso que este crescimento se deveu, em primeiro lugar, ao esforço conjunto da nossa equipa e da nossa rede de parceiros aos quais gostaria de agradecer. Acima de tudo acredito que podemos destacar três fatores fundamentais:
Um novo modelo de negócio, com venda mais ativa que foi reforçado em 2025 com a chegada de novos parceiros e pela abertura de novos Polestar Spaces (Faro e Lisboa juntaram-se ao Polestar Space do Porto, inaugurado em 2023);
O primeiro ano completo a comercializar mais do que um modelo, consolidando a presença no mercado;
E, por último, a renovação contínua da gama, que culminou com a chegada do novo Polestar 5, que elevou ainda mais o posicionamento da Polestar.
O crescimento acontece num contexto de concorrência crescente. O que está a fazer a Polestar para enfrentar esse cenário desafiante? Ou seja, o que distingue a Polestar?
Sem dúvida, conseguimos crescer num cenário de concorrência cada vez mais feroz o que torna estes números ainda mais meritórios. São vários os fatores que diferenciam a Polestar mas gostaria de sublinhar dois:
Um produto diferenciado assente em três pilares: design, performance e sustentabilidade.
Clareza estratégica associada ao compromisso ambiental: Somos a primeira e até agora única marca europeia de veículos 100% elétricos e mantemos um compromisso ambiental inabalável, mesmo quando parte da indústria europeia abranda em relação às metas previamente definidas.
Acredito que a marca representa uma forma de estar diferente na vida e muitos clientes têm vindo a rever-se neste nosso posicionamento.
Quem é o cliente típico, ou cliente‑tipo, da Polestar no país?
Em 2022, ano de entrada no mercado diria essencialmente os ‘early adopters’. Hoje em dia, estamos a conseguir conquistar também outros perfis, pessoas para quem a questão ambiental é prioritária, que têm um gosto especial por design e tecnologia, que não abdicam do prazer de condução e que já estão preparados para fazer a transição para uma mobilidade elétrica.
Dado a política de incentivos fiscais em Portugal, naturalmente que o nosso canal de vendas mais importante é o dos clientes empresariais mas registamos um aumento significativo de clientes particulares.
Entre os modelos da vossa gama, quais os mais procurados no país?
2025 foi sem dúvida o ano do Polestar 4, o nosso ‘bestseller’ quer no canal de empresas quer no canal particular. Em seguida, o Polestar 2, um modelo já consolidado e com uma base muito estável e extremamente competitivo no segmento em que está inserido. O Polestar 3, que acaba de ser eleito pela Euro NCAP o Executive Car [carro executivo] mais seguro de 2025, teve em 2025, uma performance muito interessante dentro do segmento exclusivo a que pertence.
Portugal é “mercado de referência no sul da Europa”
Polestar 4© Kittyfly / Shutterstock
Quais são os principais desafios que uma marca de carros elétricos enfrenta em Portugal?
Num mundo global, os desafios que a nossa marca 100 por cento elétrica enfrenta em Portugal são em certa medida, semelhantes aos de outros países europeus:
Resistência à adesão à mobilidade elétrica por desconhecimento, desinformação e falta de experiência do público em geral. Em resultado de alguns avanços e recuos nas políticas ambientais e de incentivo à transição para uma mobilidade sustentável, gerou-se alguma desconfiança em relação à durabilidade e preservação de valor nos automóveis elétricos. Na nossa opinião, esta resistência e receio não tem razão de ser. Por um lado, Portugal pelas suas dimensões geográficas e pelo desenvolvimento da sua rede de carga elétrica permite já, à larga maioria dos automobilistas, utilizar um automóvel elétrico sem qualquer restrição ou ansiedade de autonomia. Por outro lado, na Polestar oferecemos garantias alargadas, produtos de qualidade e uma estratégia de marca de consolidação de valor.
Na sequência da questão anterior, diria que a rede de carregamento atual no país é suficiente para dar resposta à quantidade crescente de veículos elétricos nas estradas?
Antes de responder à sua questão, gostaria de destacar que a autonomia atual dos modelos Polestar já permite ligar, num estilo de condução idêntico ao praticado nos modelos de motor de combustão, as principais cidades nacionais sem qualquer necessidade de carregamento a meio do percurso.
Posto isto, a rede portuguesa está entre as melhores redes de carga elétrica da Europa pelo que naturalmente, a consideramos boa nos principais eixos do País. Por outro lado, o ritmo de crescimento da rede parece indicar que as ainda existentes assimetrias regionais e picos de congestionamento em feriados/fins de semana estão a ser solucionados.
Que papel tem Portugal na presença da marca no sul da Europa?
A quota de mercado em 2025 para automóveis elétricos foi superior a 23 por cento, bem acima, por exemplo, de Espanha e Itália. Portugal surge portanto como um mercado de referência no sul da Europa, com potencial de crescimento e um mercado de elétricos em franca consolidação.
“Futuro da mobilidade é elétrico”
Polestar manifestou-se em Bruxelas contra o recuo da UE sobre eletrificação© Polestar
Em dezembro, a Comissão Europeia anunciou uma marcha‑atrás quanto aos objetivos de 2035. Como é que a Polestar recebeu as medidas revistas?
A Polestar fez questão de manifestar o seu protesto. Aliás realizámos mesmo uma acão de protesto em Bruxelas com o tema ‘Still Committed, Still Electric’, defendendo que o futuro da mobilidade é elétrico e que esse é o melhor caminho não só para o ambiente como também para a indústria automóvel europeia.
Sente que os portugueses valorizam a sustentabilidade de um automóvel na hora da compra?
Sim, cada vez mais. Vemos isso refletido não só nas vendas da Polestar, mas também de outros concorrentes elétricos. A procura dos clientes nacionais por automóveis elétricos tem vindo a crescer de forma significativa de ano para ano. Para esses clientes a Polestar oferece não só automóveis elétricos premium, com design escandinavo, performance e tecnologia de ponta mas também um compromisso único com a sustentabilidade, a circularidade e a inclusão.
Começa um novo ano. Que novidades poderão os clientes esperar na gama para os próximos tempos?
2026 será um ano muito importante para a Polestar onde iremos apresentar várias novidades. Para além das atualizações de produto teremos o Polestar 5 a chegar às estradas nacionais e outras novidades que para já não posso adiantar mas que serão reveladas no próximo dia 18 de fevereiro.
E é de esperar que cheguem Polestar Spaces a mais pontos do país ao longo do ano?
Em 2026, não temos prevista a expansão da nossa rede.
Quais são os vossos objetivos para Portugal em 2026?
Pretendemos crescer cerca de 20 por cento em relação a 2025.
Olhando não só para 2026, como também para o futuro mais amplo, qual é a estratégia da Polestar para Portugal nos próximos tempos?
Em Portugal, pretendemos continuar a crescer de forma sustentada e continuar a liderar a transição para a mobilidade premium. Contamos com o apoio de uma rede fortalecida e experiente de parceiros e iremos continuar a enriquecer a nossa gama de produtos com modelos em segmentos distintos.
E onde vê a Polestar em Portugal – e no mundo – daqui a cinco anos?
2025 foi um ano muito importante para a Polestar não só em Portugal mas também no mundo (onde a nossa marca ultrapassou pela primeira vez as 60.000). Na Europa por exemplo, conseguimos ultrapassar uma marca histórica, a Porsche, em quantidade de modelos elétricos comercializados.
Por isso, nos próximos anos queremos continuar a conquistar quota de mercado nos segmentos onde estamos representados e apontaremos para outro nível de volumes quando chegar por exemplo o Polestar 7, o nosso SUV compacto.
Queremos continuar a ser uma voz líder na indústria em prol de uma mobilidade mais amiga do ambiente e continuar a dar passos na direção do nosso objetivo de em 2040 sermos uma empresa com impacto climático neutro.
