Esta quarta-feira (28 de janeiro) há reunião de investidores da Tesla para apresentar resultados e há quem considere que o assunto da condução autónoma será chave.
Esta tem sido uma bandeira do proprietário Elon Musk, reforçada numa altura em que as vendas quebram – de acordo com a Reuters, é esperada uma quebra de quatro por cento nas receitas no último trimestre do ano passado devido à redução das vendas.
As estimativas apresentadas no início do mês apontam para a entrega de 1.636.129 automóveis no ano passado, contra os 1.789.226 registados em 2024. Ou seja, a descida foi de 8,6 por cento.
Citado pela mesma agência, o analista e também acionista da Tesla Matt Britzman afirmou: “Os investidores estão, maioritariamente, a olhar para além dos fundamentos de curto prazo. O sentimento no mercado está a ser impulsionado pelas ambições mais amplas da Tesla na autonomia, incluindo o progresso na plataforma de robotáxi e a expectativa de o Cybercab entrar em produção plena em 2026″.
E defendeu: “Com os lucros provavelmente a parecerem fracos, manter a narrativa firmemente ancorada no crescimento futuro é crucial no apoio à ainda elevada valorização da Tesla”.
Um outro especialista – que também tem ações na Tesla é Ken Mahoney. O diretor-executivo da Mahoney Asset Managemtn afirmou à Reuters: “Para 2026, essencialmente tenta perceber-se se a inteligência artificial se torna em receitas e lucros, não apenas uma despesa como é maioritariamente neste momento”.
Em junho do ano passado, a Tesla encetou os primeiros testes à sua plataforma de robotáxi em Austin (Estados Unidos da América). No entanto, só na semana passada começaram as operações sem supervisão humana a bordo, à semelhança do que já acontece com a concorrente Waymo.
Em São Francisco, os robotáxis da Tesla continuam a precisar de supervisão de uma pessoa a bordo. Apesar dos progressos feitos, certo é que as previsões de que o serviço estaria a operar em várias cidades americanas até ao fim do ano passado falhou.
Chegada à Europa e à China
Na semana passada, Elon Musk revelou no Fórum Económico Mundial em Davos que espera ter aprovação para a condução totalmente autónoma supervisionada na Europa e na China por volta de fevereiro.
A confirmar-se, será uma expansão importante dos recursos de automação dos modelos da Tesla – que, atualmente, estão ainda muito limitados regionalmente devido a diferentes quadros regulamentares.
Cybercab em desenvolvimento
Lançado como concept em outubro de 2024, o Tesla Cybercab ainda não passou da teoria à prática. Nessa ocasião, até foram demonstrados 20 protótipos, mas a produção em massa ainda não começou.
Estes são carros autónomos concebidos para operar como táxis, que não têm pedais nem volante – ou seja, a ideia é que sejam 100 por cento autónomos. Já foram avistados protótipos em testes de estrada, esperando-se que chegue à produção ainda antes de 2027.
Mudança de abordagem
Shay Boloor, estrategista chefe de mercado da Futurum Equities, observou uma nova abordagem da Tesla ao mercado: “O sinal chave para 2026 é que a Tesla está, intencionalmente, a trocar a margem automóvel no curto prazo por escala de fronta, já que Elon entende que o valor da plataforma não é maximizar a rentabilidade por unidade hoje, mas sim maximizar a base instalada que, mais tarde, pode ser monetizada através de autonomia e software“.
De referir que, a partir de fevereiro, certas capacidades de automação dos veículos da Tesla (FSD) vão precisar de subscrição mensal nos Estados Unidos da América – não podendo ser compradas de uma só vez como acontece atualmente.
