O Canadá reviu os seus planos para o futuro ambiental do setor automóvel, tendo agora metas mais modestas para a adoção de veículos 100 por cento elétricos até 2035 – à semelhança do que está a acontecer na Europa.
Naquele país da América do Norte, o governo anunciou uma estratégia de redução de emissões dos veículos ligeiros, que deverá levar a um ritmo de adoção de carros elétricos de 75 por cento até 2035 – contra a obrigatoriedade total prevista pelo anterior líder Justin Trudeau.
Haverá “flexibilidade nas tecnologias usadas” para conseguir a redução de emissões poluentes pretendida, ao mesmo tempo que serão “alavancados novos investimentos na produção de elétricos, iniciativas de cliente e infraestrutura de carregamento”. O objetivo para 2040 fixa-se numa taxa de adoção de carros elétricos de 90 por cento.
Consciente de que os custos são um obstáculo preponderante à escolha de automóveis elétricos, o governo canadiano prepara um novo programa de cinco anos com incentivos a clientes individuais e empresas que comprem ou aluguem “carros elegíveis” por um valor de até 50 mil dólares canadianos (algo em torno de 31 mil euros) – excluindo os veículos elétricos fabricados no próprio país de modo a apoiar a sua indústria nacional.
Em 2026, estes incentivos podem ir até aos 5.000 dólares para elétricos e carros a hidrogénio e até 2.500 dólares para híbridos plug-in. No entanto, vão diminuir gradualmente até 2030 para 2.000 e 1.000 dólares, respetivamente.
Será, ainda, desenvolvida “uma nova estratégia de infraestrutura nacional de carregamento”, considerando os problemas da ansiedade de autonomia e falta de infraestrutura de carregamento adequada. A ideia desta estratégia é “atrair melhor fundos privados, reduzindo barreiras e tornando os edifícios preparados para carros elétricos”.
O Executivo liderado por Mark Carney promete, igualmente, “apoiar grandes investimentos industriais através de mecanismos fiscais e outras políticas, incluindo dedicar até três mil milhões de dólares canadianos (1,8 mil milhões de euros) do Fundo de Resposta Estratégica e 100 milhões de dólares canadianos da Iniciativa de Resposta de Tarifas Regionais para apoiar o investimento no fabrico automóvel”. Estão, ainda, previstas medidas para reforçar e proteger a mão-de-obra.
O governo canadiano considera que o futuro do automóvel é eletrificado, pelo que tem com prioridade “o desenvolvimento de toda a cadeia de valor para os veículos elétricos de próxima geração”.
E continuará o investimento em inteligência artificial, que já atingiu mais de dois mil milhões de dólares canadianos “em talento, computação, engenharia e pesquisa e desenvolvimento”. Nesta atura, afirma o governo daquele país, “as empresas automóveis estão a reconhecer cada vez mais a profundidade de do talento e inovação que é o resultado de décadas de investimento”.
