Especializada em automóveis 100 por cento elétricos, a sueca Polestar está em Portugal, onde tem vindo a crescer. Um dos modelos disponíveis no nosso país é o Polestar 2. Está disponível, no nosso país, a partir dos 42.900 euros.
Trata-se de um fastback familiar com orientação para o desempenho, concorrente do Tesla Model 3, que o Auto ao Minuto teve a oportunidade de conduzir durante alguns dias – na versão Performance, cujo preço começa nos 57.400 euros.
No nosso ensaio dinâmico, fizemos um pouco de quase tudo – estrada nacional, autoestrada, itinerários complementares, até estradas municipais. Fomos, no entanto, algo limitados pelas más condições climatéricas.
A experiência a bordo e funcionalidades
O Polestar 2 surge praticamente sem botões físicos, que se cingem à área do volante (no próprio volante, assim como as tradicionais alavancas para controlos como piscas, luzes ou limpa para-brisas) e na consola central – onde está uma alavanca de seleção do modo de marcha, o botão dos quatro piscas, assim como os do desembaciamento).
As portas têm, igualmente, botões físicos para controlar os vidros (e, do lado do condutor, o trancamento das portas). Os puxadores, esses, são convencionais quer por dentro, quer por fora. E os bancos são em nappa, suave ao toque.
Depois, encontramos um ecrã vertical de grandes dimensões ao centro, que mede 11,5 polegadas e constitui a base do sistema de infoentretenimento. Este não é o mais intuitivo possível para aceder a determinadas funções ou menus enquanto se conduz, o que é compensado pelo competente e eficaz assistente por voz.
Os bancos têm um desenho desportivo, com cintos de segurança num cor-de-laranja a marcarem o contraste e o cariz do automóvel. À frente do condutor, está um quadrante de instrumentos que consiste num ecrã digital de 12,3 polegadas de fácil leitura. No entanto, pareceu-nos algo limitado em termos de opções de visualização diferentes – nada que prejudique a experiência geral.
Também temos de fazer referência ao sistema de som Bowers & Wilkins, que proporciona um áudio envolvente quer se vá a ouvir música, quer se vá a fazer chamadas ou a ouvir rádio ou podcasts.
Em termos de conectividade, é possível ligar smartphones através de Android Auto ou Apple CarPlay. Outra característica prática é a pré-climatização.
O tejadilho panorâmico amplo deixa o carro bem iluminado de dia, mas diríamos que poderia ter uma cortina ou opção para escurecer de modo a dar algum recato ou proteger do sol se os ocupantes assim preferirem.
É possível controlar vários parâmetros, incluindo desligar a opção de carregador sem fios de telemóvel. E, por falar em carregar dispositivos móveis, há duas tomadas USB-C à frente e outras tantas atrás.
O utilizador também pode escolher o nível de anti-encadeamento dos espelhos, rebatimento dos retrovisores quando estacionado e inclinação dos retrovisores em marcha-atrás (condutor, passageiro ou ambos).
De mencionar, ainda, a possibilidade de contabilizar o desempenho (tempos de aceleração dos 0 aos 60 km/h, 80 km/h, 100 km/h e 120 km/h), ver as forças G ou aceder ao assistente de economia de energia. Para conforto do condutor, o volante é aquecido e os bancos da frente são aquecidos e ventilados.
Conduzir o Polestar 2
Por dentro do Polestar 2© Notícias ao Minuto
Ao volante, encontrámos um automóvel ágil e divertido, com a aceleração a impressionar se carregarmos no pedal mais a fundo. Em todo o caso, é fácil de dosear, não causando quaisquer surpresas indesejadas à condução.
É, igualmente, um veículo equilibrado, previsível e estável, com uma direção configurável (Leve, Standard e Firme). Também podemos regular a regeneração de energia em travagem. O One Pedal Drive tem três níveis: baixo, Standard ou desligado. E é particularmente útil para fazer a gestão de energia e abrandar no tráfego urbano.
Encontrámos um Polestar 2 capaz para o trânsito urbano, bem manobrável, mas também para a autoestrada e para distâncias mais longas. Nesse caso, uma ajuda à condução que pode poupar trabalho e esforço ao condutor é o cruise control adaptativo.
O pacote de assistências é vasto, incluindo também aviso de ângulo morto, limitador de velocidade automático, aviso sonoro de novo limite de velocidade, manutenção na faixa, prevenção de colisão ou monitorização da atenção do condutor.
A travagem é eficaz, segura e suave, estando a cargo de discos ventilados em alumínio cujas pinças Brembo estão coloridas num cor-de-laranja. Quanto à suspensão, McPherson à frente e multi-link atrás, é um pouco firme, mas sem causar desconforto. Os amortecedores Öhlins revelam-se eficazes. A posição de condução relativamente baixa e o caráter relativamente desportivo do Polestar 2 Performance torna natural sentir um pouco mais as irregularidades do piso. A visibilidade para trás poderia ser um pouco melhor, até porque as câmaras não apanham todos os ângulos possíveis.
Os seus 412 cv de potência (inscrita na medida de 350 kW atrás das rodas frontais) e 750 Nm de binário permitem uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,5 segundos. E, embora não tenhamos testado o carro nestes limites, podemos confirmar que não lhe falta desempenho para ‘puxar’ pelos 2.015 kg – surpreendentemente leve para um elétrico.
As câmaras são muito úteis, especialmente para manobras em locais mais apertados ou estacionamento. Têm boa definição e múltiplos ângulos (de trás, de frente, de lados e 360º). De mencionar, ainda, a alavanca de seleção de marcha (R, N, D) intuitiva na consola central, reminiscente das que equipam alguns Volvo.
Bateria e carregamento
Assente num sistema de 400 volts, o Polestar 2 tem uma bateria de iões de lítio fornecida pela CATL. Com química de níquel-cobalto-manganês, tem uma capacidade útil de 79 kWh e nominal de 82 kWh (que é a indicação que surge por trás das rodas dianteiras).
A autonomia indicada é de até 568 km (WLTP). Recebemos o carro com 100 por cento da carga e, depois de fazermos cerca de 265 km, chegámos a 22 por cento quando carregámos. A média de consumos foi de 21,7 kWh por 100 quilómetros – muito acima do anunciado (17,2 kWh por 100 quilómetros).
O carregamento rápido, dos 10 aos 80 por cento, demora cerca de 28 minutos, segundo anunciado. Ora, dos 22 por cento aos 80 por cento demorou cerca de meia hora, enquanto para chegar a 90 por cento levou cerca de 50 minutos, sendo de registar que durante o processo a potência começou em mais de 100 kW e foi diminuindo bastante – algo não imputável ao veículo. Este deixa-nos escolher o limite máximo de carregamento.
Design
Perfil lateral do Polestar 2© Notícias ao Minuto
O Polestar 2 mais recente não muda muito em relação ao original, embora existam mudanças subtis. O desenho é sóbrio e passa a sensação de carro com uma personalidade desportiva.
É um carro com silhueta típica de fastback, que nos chegou num discreto tom de preto com jantes forjadas contrastantes de 20 polegadas.
A câmara dianteira é bastante visível na zona em que habitualmente se encontra a grelha frontal e, acima dela, está o logótipo da marca em relevo na mesma cor da carroçaria – sendo quase imperceptível.
Atrás, as óticas formam uma espécie de arco não fechado – que, na verdade, podem ser facilmente associadas à Volvo, fabricante dentro do qual a Polestar nasceu. O mesmo acontece com o formato dos faróis dianteiros.
O carro tem 4.606 milímetros de comprimento, 1.985 milímetros de largura (retrovisores exteriores incluídos), altura de 1.473 milímetros e distância entre eixos de 2.735 milímetros. A distribuição de peso da versão Performance é repartida 50/50 entre a dianteira e a traseira.
Em termos de arrumação, encontramos uma bagageira com 407 litros de capacidade (extensíveis até 1.097 litros com os bancos traseiros rebatidos) e um ‘frunk’ debaixo do capot com 41 litros. A capacidade de reboque é de 1.500 kg.
No interior, há várias soluções para arrumação, com espaços nas portas, porta-luvas ou consola central (incluindo suporte de copos, por baixo do apoio de braços e nas laterais da consola central). O cromático tem o preto a dominar, com os cintos de segurança cor-de-laranja contrastantes.
Na galeria de topo, pode ver algumas imagens do carro que experimentámos.
ESPECIFICAÇÕES TECNICAS
POLESTAR 2
MOTOR
Posição
Um motor no eixo dianteiro, um motor no eixo traseiro
Arquitetura
Magneto permanente. FR: Assíncrono; TR: Síncrono
Potência
476 cv
Binário
740 Nm
TRANSMISSÃO
Tração
Integral
Caixa de velocidades
Caixa de velocidade única
CHASSIS
Suspensão
FR: McPherson; TR: Multi-link
Travões
FR: Discos ventilados; TR: Discos em aço sólido
Direção
Assistência elétrica com 3 modos
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt.
4.606 mm x 1.985 mm x 1.473 mm
Distância entre eixos
2.735 mm
Capacidade da mala
407 l (1.097 l com os bancos rebatíveis)
Capacidade da bateria
82 kWh (79 kWh utilizáveis)
Rodas
FR/TR: 245/40R20
Peso
2.015 kg
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima
205 km/h
0-100 km/h
4,2s
Autonomia
Até 568 km (WLTP)
Consumo misto
17,2 kWh/100 km
8,5
0-10
ANÁLISE
O Polestar 2 é um carro fastback com uma alma desportiva, que é divertido e simples de conduzir. Tem desempenhos competentes e uma autonomia que permite deslocações mais longas, para além de ser equilibrado, previsível e confortável. Não é o mais familiar dos modelos que se pode encontrar, mas é uma boa porta de entrada nos elétricos para quem procurar algo do segmento premium. Versátil, também é muito competente nas cidades e em deslocações pendulares. No entanto, não tem o foco absoluto em desempenho.
Experiência de condução
Comportamento ágil e previsível
Carregamento rápido
Poucos botões físicos
Firmeza da suspensão
Visibilidade traseira
