Sem categoria Tarifas: Acordo com EUA para setor automóvel restaura estabilidade

Tarifas: Acordo com EUA para setor automóvel restaura estabilidade


Em comunicado, o executivo comunitário anunciou duas propostas que precisam do crivo do Parlamento Europeu e do Conselho da UE para a implementação do acordo com os Estados Unidos da América (EUA) que reduz as tarifas para automóveis e partes de carros de 27,5% para 15% (e que tem efeitos retroativos desde 01 de agosto).

 

“Estes passos contribuem para restaurar a estabilidade e a previsibilidade do comércio entre a UE e os EUA, e as relações de investimento, para beneficiar as empresas, os trabalhadores e os cidadãos dos dois lados do Atlântico”, assume a Comissão Europeia.

Defendendo-se das críticas de que o acordo não é mais do que uma cedência a Washington e que a UE sai a perder desta decisão, a Comissão Europeia acrescentou que vai continuar a “empenhar-se com os EUA na redução de tarifas, incluindo no contexto das negociações para um futuro acordo entre a UE e os EUA sobre comércio recíproco, justo e equilibrado”.

O comunicado hoje divulgado coincide com novas tensões entre o bloco político-económico europeu e a Casa Branca do republicano Donald Trump, que criticou a regulamentação das empresas tecnológicas.

Na terça-feira, o executivo de Ursula von der Leyen disse que a UE e os Estados-membros que a compõem têm “o direito soberano” de regulamentar as atividades económicas, nomeadamente no que toca às empresas tecnológicas.

“Penso que é útil recordar o que temos vindo a afirmar várias vezes, que é um direito soberano da UE e dos Estados-membros regulamentar as atividades económicas no nosso território que sejam compatíveis com os nossos valores democráticos”, declarou a porta-voz do executivo comunitário, Paula Pinho, na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.

“É também por isso que esta questão não fazia parte do nosso acordo [comercial] com os Estados Unidos e, portanto, estas são questões distintas e vamos prosseguir com a implementação do acordo-quadro, que, muito justamente, não abrange esta questão num contexto mais alargado”, adiantou a responsável.

Questionada sobre as palavras de Donald Trump, numa publicação na sua rede social Truth Social, na qual o Presidente dos EUA prometeu “enfrentar os países que atacam as incríveis empresas tecnológicas americanas”, Paula Pinho respondeu que “os impostos digitais, a legislação [europeia] sobre serviços digitais e o regulamento [europeu] dos mercados digitais foram todos concebidos para prejudicar ou discriminar a tecnologia americana”.

“Além disso, de forma escandalosa, dão carta-branca às maiores empresas tecnológicas da China e isto tem de acabar e acabar agora”, avisou.

Donald Trump assegurou ainda avançar com “tarifas adicionais substanciais sobre as exportações” para os países comunitários “com impostos, legislação, regras ou regulamentações digitais”.

A posição surge uma semana depois de a UE e os Estados Unidos, os maiores parceiros económicos mundiais, terem divulgado uma posição conjunta que confirmou o acordo comercial entre os dois blocos, que prevê tarifas norte-americanas de até 15% para a grande maioria dos produtos, incluindo automóveis e produtos farmacêuticos.

Está também prevista uma garantia de limite tarifário para os setores farmacêutico e dos semicondutores e tarifas zero para zero em produtos como aeronaves, cortiça e medicamentos genéricos.

Antes, em agosto de 2024, a UE tornou-se na primeira jurisdição do mundo com regras para plataformas digitais, que passam a estar obrigadas a remover conteúdos ilegais e nocivos, no âmbito da nova Lei dos Serviços Digitais.

Para tal, a Comissão Europeia definiu 19 plataformas em linha de muito grande dimensão, com 45 milhões de utilizadores ativos mensais, que passam a ter de cumprir novas regras.

A lei foi criada para proteger os direitos fundamentais dos utilizadores ‘online’ na UE e tornou-se numa legislação inédita para o espaço digital que responsabiliza as plataformas por conteúdos prejudiciais, nomeadamente desinformação.

Além disso, está em vigor na UE desde novembro de 2022 a nova lei dos Mercados Digitais, que estipula regras sobre o que as empresas tecnológicas com estatuto de ‘gatekeepers’ são ou não autorizadas a fazer na UE, uma espécie de lista negra com regras para estas grandes plataformas.

As tecnológicas que não cumprem estas duas novas leis podem ter coimas proporcionais à sua dimensão.

Leia Também: Como o acordo tarifário entre EUA e Europa afeta o setor automóvel

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