A legislação europeia não permite, atualmente, a circulação de automóveis totalmente autónomos e sem a supervisão humana a bordo. A Nvidia acredita que o cenário poderá mudar em breve, com os sistemas mais avançados de Nível 4 permitidos já no ano que vem.
O vice-presidente da equipa da tecnológica dedicada aos automóveis, Ali Kani, antecipa que o Nível 2+ de condução autónoma será permitido no Velho Continente em 2026: “Precisamos de ser tão velozes quanto as regras permitam, e julgo que o que vemos é que está a abrir. A minha estimativa é que, na Europa, pode ser no fim deste ano“, disse à Euronews.
Estes veículos exigem presença a bordo permanente e atenta de um condutor humano, mas são capazes de virar, travar e acelerar autonomamente. Já são permitidos veículos de Nível 2, enquanto os de Nível 3 só podem circular em condições controladas. E, em breve, arrancarão ensaios de possíveis serviços de robotáxis em países como Alemanha e Reino Unido.
A automação praticamente total é atingida no Nível 4. Ali Kani acredita que a Europa o poderá permitir já no próximo ano. Neste patamar, as viaturas podem fazer todas as tarefas de condução sozinhas, sem intervenção por parte de uma pessoa a bordo, em determinadas circunstâncias e zonas operacionais. Mais longe, e ainda pouco falada, está a automação total e sem restrições operacionais (Nível 5).
A abordagem da Nvidia
A Nvidia está focada na plataforma aberta para condução autónoma, que depois é disponibilizada a fabricantes – e não em fabricar os veículos em si. A arquitetura de computação e sensores deixa o veículo preparado para condução autónoma de Nível 4. A Stellantis, a Lucid Automotive e a Mercedes-Benz são algumas das empresas a trabalharem com a tecnológica.
Num comunicado lançado na semana passada, Ali Kani frisou: “Tudo o que se mexe irá eventualmente tornar-se autónomo, e o Drive Hyperion é a espinha dorsal que possibilita a transição. Ao unificar computação, sensores e segurança numa plataforma aberta, permitimos que o nosso ecossistema inteiro, de fabricantes automóveis ao ecossistema de software de veículos autónomos, introduzam autonomia total no mercado mais rapidamente, com a fiabilidade e confiança que a mobilidade a larga escala exige”.
Já na entrevista à Euronews, o dirigente explicou que a abordagem adotada pela Nvidia difere de outros projetos: “Alguns atores falam sobre quererem garantir que conduzem melhor do que um ser humano. Não concebemos o nosso sistema assim. Na verdade, pensamos em como concebemos este sistema para que nunca cause um acidente“.
Os sistemas incluem múltiplas opções de deteção no caso de falha de uma câmara, bem como um modelo de inteligência artificial e outros recursos de software. “Temos uma garantia de segurança no sistema”, garantiu Ali Kani.
