Em 2024, a Dacia lançou um novo SUV – o Bigster, que é como que uma versão maior do Duster. De facto, é o maior modelo da marca romena até hoje, surgindo com motorização híbrida.
Ao longo de alguns dias, o Auto ao Minuto teve a oportunidade de testar este carro, na versão Journey Hybrid 155. Utilizámos sobretudo em deslocações pendulares, com muita estrada nacional, alguma condução em centros citadinos, um pouco de autoestrada e também em estradas secundárias asfaltadas num passeio domingueiro.
Ficou-nos evidente que, pelas dimensões, não é um carro para quem queira ir às compras a um centro comercial ou para os centros das cidades. É um C-SUV familiar, prático, que pode ser usado no dia-a-dia, e não muito caro: o que testámos custa 35.966 euros, mas está disponível a partir dos 29.951 euros (no caso da motorização ensaiada).
Um motor competente
Dacia Bigster, perfil lateral© Notícias ao Minuto
Este Dacia tem a motorização Hybrid 155, com motor a gasolina de 1.793 centímetros cúbicos capaz de produzir 155 cv de potência. As acelerações são rápidas e eficazes, com a potência a ser mais do que suficiente para os 1.494 kg de peso em ordem de marcha.
O sistema híbrido não é plug-in, ou seja, não precisa de carregamento externo para repor os níveis de bateria – o processo faz-se em andamento. Tão prático como uma motorização 100 por cento a combustão, portanto. E o carro alterna sozinho entre o modo elétrico e de combustão, conforme for adequado a cada momento e contexto.
A resposta do acelerador é rápida, mas por vezes sentimos que a caixa automática de 2+4 relações demora um pouco a reagir ao aumento das rotações do motor, levando a regimes um pouco mais elevados. Nada que incomode nem prejudique substancialmente o comportamento.
Em termos de consumos, registámos que estiveram sempre na ordem dos 5 a 6 litros por cada 100 km, chegando a apresentar estimativas instantâneas um pouco inferiores a 5. Ou seja, em linha com o anunciado nas especificações que nos foram cedidas: 4,7 litros em ciclo combinado (WLTP), 5,7 litros em ciclo muito alto ou 5,3 litros em ciclo baixo.
Condução
O posto de condução do Dacia Bigster© Notícias ao Minuto
Quem conduz o Dacia Bigster, pode contar com um automóvel fácil de controlar, previsível e equilibrado, no qual se pode ser confiante desde os primeiros metros de condução.
Os controlos essenciais estão, no geral, posicionados de forma intuitiva e acessível ao condutor. Só demorou um pouco a habituar ao posicionamento do botão para ativar o travão de estacionamento deslocalizado da consola central.
Os sistemas de ajuda ao condutor não desiludem. Ficámos particularmente impressionados pelo cruise control adaptativo e com as câmaras de visão traseira, que proporcionam nitidez suficiente mesmo com baixa iluminação.
O painel de instrumentos tem diversos modos de apresentação, podendo disponibilizar diversas informações diferentes consoante a preferência do utilizador – incluindo mapa de navegação, multimédia reproduzida, temperatura da água do carro, ou até bússola, ecrã eco, fluxo de energia, autonomia e modo em uso (EV ou combustão).
Também o sistema de climatização tem os seus comandos em botões físicos intuitivos ao alcance do condutor, mas também se faz através dos comandos no ecrã tátil central ligeiramente inclinado para o condutor.
A navegação Google a bordo inclui informação de postos de carregamento e alcance da autonomia, enquanto o assistente por voz é competente.
Experiência a bordo
Os materiais não impressionam pela sua qualidade (aliás, nem seria de esperar para este intervalo de preços), sendo sobretudo plásticos. Mas a construção não deixa nada a desejar e há superfícies e tecido suaves ao toque. Quanto à suspensão, é eficaz na absorção das irregularidades.
Há um conveniente apoio para braços na zona da consola central e, em termos de design, não faltam os elementos que identificam o Bigster como um Dacia (um exemplo é o desenho das entradas de ventilação) – apesar de a tecnologia ser da Renault. Não só através das formas, como também do logótipo nos encostos dos bancos frontais – que, por sinal, são confortáveis e apoiam bem o ocupante, tal como os traseiros.
O Dacia Bigster é um ‘primo’ maior do Duster, pelo que o espaço é um assunto chave. Quem está nos bancos da frente e olha para trás pelo espelho retrovisor interior fica com a sensação de um carro comprido. Pois, bem, há espaço abundante para quem vai à frente e também para quem vai atrás, sendo um carro confortável para deslocações mais longas – e, assim, aproveitar a autonomia que rondava os 1.000 km estimados quando assumimos o volante (sendo a evolução ao longo do teste consistente com essa estimativa, apesar de termos ficado longe de tanta quilometragem).
A bagageira também é ampla, oferecendo 546 decímetros cúbicos de capacidade – extensíveis para 1.851 decímetros cúbicos com os bancos traseiros rebatidos.
O ecrã para o infoentretenimento é intuitivo e simples de operar e o habitáculo está bem insonorizado.
Outros pormenores cosméticos e funcionais: o suporte para telemóvel na consola central, que existe mesmo com a presença de um sistema de multimédia que permite associar o smartphone; e a saudação sonora ao condutor quando este abre a porta para entrar.
Já atrás, se o banco do meio não estiver a ser usado, pode revelar uma consola traseira com suporte para copos e telemóvel. De registar, ainda, as portas USB-C para carregar dispositivos móveis (duas à frente e outras tantas atrás, havendo ainda carregador wireless à frente). E, claro, não podemos deixar de mencionar o amplo tejadilho panorâmico, que torna o habitáculo mais luminoso, descontraído e aventureiro. Faz parte do equipamento opcional.
Por fim…
Um carro comprido, com 4.570 milímetros de comprimento© Notícias ao Minuto
O Dacia Bigster tem um design exterior robusto e que prima pela simplicidade, mas com a marca romena bem vincada no seu ‘ADN’ (como a assinatura das óticas traseiras, faróis dianteiros em forma de Y ou o padrão da grelha frontal).
A unidade testada estava pintada a Cinzento Shiste, tendo jantes de 19 polegadas semi-diamantadas. Também há convenientes barras de tejadilho para quem quiser aí transportar carga.
Volante aquecido, aquecimento dos bancos dianteiros (pack Heat), ajuda ao estacionamento frontal, lateral e traseiro e alerta de ângulo morto (pack Parking) foram outras das comodidades com as quais contactámos.
Não que isso se note no uso normal do veículo, mas é importante especificar: o Dacia Bigster ficou aquém de alguma da sua concorrência nos testes de segurança da Euro NCAP a que foi submetido em 2024, ficando-se pelas três estrelas em cinco. Ainda assim, recebeu 85 por cento na proteção de ocupantes crianças, mas teve apenas 57 por cento nas assistências de segurança e 60 por cento na proteção de peões.
ESPECIFICAÇÕES TECNICAS
DACIA BIGSTER Journey Hybrid 155
MOTOR
Posição
Central Dianteira
Arquitetura
4 cilindros em linha
Distribuição
16 válvulas
Capacidade
1.793 cm3
Potência
155 cv
Binário
172 Nm
TRANSMISSÃO
Tração
Dianteira
Caixa de velocidades
Caixa automática 2+4 vel.
CHASSIS
Suspensão
FR: Independente; TR: Independente
Travões
FR: Discos plenos 296×26; TR: Discos plenos 280×9,6
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt.
4.570 mm x 2.069 mm x 1.710 mm
Distância entre eixos
2.702 mm
Capacidade da mala
546 l (1.851 l com bancos traseiros rebatidos)
Capacidade do depósito
50 l
Capacidade da bateria
1,7 kWh
Rodas
FR: 205/55 R19; TR: 205/55 R19
Peso
1.494 kg (em ordem de marcha)
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima
180 km/h
0-100 km/h
9,7s
Consumo misto
4,7 l/100 km (ciclo combinado)
Emissões CO2
107 g/km (ciclo combinado)
8
0-10
ANÁLISE
O Dacia Bigster é um SUV familiar competente, com um motor mais do que suficiente para as suas funções. Prático e espaçoso, convida a deslocações mais longas (igualmente graças à autonomia apresentada) e pode ser usado no dia-a-dia. Mas não achámos que seja um carro prático para contextos como ir às compras ou para deslocações citadinas – até porque as suas dimensões tornam-no complicado de manobrar em ruas estreitas ou parques de estacionamento subterrâneo
Facilidade de condução
Espaço para ocupantes e bagagem
Preço acessível
Materiais do interior
Três estrelas nos testes de segurança Euro NCAP
Comportamento da caixa automática
