O Volvo EX30 Cross Country chegou há sensivelmente um ano, tornando-se no primeiro 100 por cento elétrico do fabricante a receber o tratamento Cross Country.
O Auto ao Minuto conduziu este robusto SUV, talhado para a aventura e vida ao ar livre. A altura em que o tivemos em mãos não foi a mais convidativa a este tipo de uso, devido ao mau tempo que nos foi afetando o ensaio.
Ainda assim, pudemos contactar com este modelo e vamos contar-lhe tudo. Em mãos, tivemos a variante Ultra Twin Motor Performance, com dois motores – que, na verdade, é a única disponível.
Cobrimos desde estradas com trânsito, centros urbanos a autoestrada, iniciando com a bateria plenamente carregada.
Motorização, bateria e carregamento
Com capacidade de tração integral (no modo Performance AWD), o Volvo EX30 Cross Country propõe 428 cv de potência máxima (ou 315 kW), com o binário a atingir 543 Nm. A velocidade máxima é de 180 km/h e a aceleração dos 0 aos 100 km/h faz-se em 3,7 segundos.
A distinção mais significativa face ao EX30 é a altura ao solo, que cresce em alguns centímetros graças a mexidas no chassis e também aos pneus de todo-o-terreno (com pneus de verão de 19 polegadas no equipamento de série e na unidade ensaiada). Disparidades que o tornam mais talhado ao uso off-road a que se propõe.
As prestações pareceram-nos mais do que suficientes para o automóvel – que, apesar da sua vocação aventureira, também propõe estar apto para diversas condições e contextos – incluindo autoestrada e nas cidades.
A bateria tem uma energia nominal de 69 kWh, permitindo uma autonomia combinada de até 436 km e em cidade até 578 km. Os consumos totais anunciados pelo ciclo WLTP são de 18,3 kWh por cada 100 km, descendo para os 13,8 kWh por 100 km em condução citadina e 13,9 kWh/100 km de média. Já o extra alto é de 24,3 kWh/100 km.
Ao fim de 200 km percorridos, e com 37 por cento da bateria, restavam-nos 130 km de autonomia estimada. Não exercemos uma condução com o foco na poupança de energia e as condições meteorológicas – com tempo chuvoso e frio – não ajudaram a maximizar a autonomia.
De todos os modos, chegámos a fazer consumos na ordem dos 11 e 12 kWh/100 km em algumas deslocações, enquanto a média desde a reposição mais recente da contagem esteve a apontar para consumos ligeiramente superiores a 20 kWh/100 km – contabilizando-se mais de 1.600 km.
Carregámos quando a bateria apresentava cerca de 20 por cento restantes. Num posto de carregamento rápido, a ser utilizado por quatro automóveis, levou pouco mais de 40 minutos a carregar até aos 53 por cento. O custo? Mais de 12 euros para pouco mais de 25 kW de energia consumida.
O carregamento rápido anunciado, dos 10 aos 80 por cento pode ser feito em cerca de 26 minutos em condições e num posto ideal.
Condução
O posto do condutor© Notícias ao Minuto
O Volvo EX30 Cross Country é um automóvel divertido de conduzir. Tem um acelerador equilibrado: a resposta é eficaz e quase imediata, sem deixar de permitir fazer uma boa gestão da aceleração.
O pedal de travagem é macio, com a travagem a revelar-se suave, mas eficaz. Mesmo travando um pouco mais forte, a suavidade na sensação de abrandamento mantém-se.
O carro é equilibrado nos diferentes contextos, não se sentem oscilações e as suspensões absorvem bem as irregularidades do piso. E as ajudas à condução são fiéis – como o cruise control adaptativo, aviso de ângulo morto ou o Hill Descent Control, assistente de manutenção na faixa, bem como os apoios ao estacionamento (incluindo sensores dianteiros e traseiros e câmaras eficazes 360º).
Contactámos com as diferentes configurações de direção (macia, média, firme). A precisão e imediatismo da resposta mantêm-se sempre, sendo que as diferenças nos pareceram subtis. De assinalar, ainda, a eficácia da navegação do próprio veículo com base em Google Maps.
A experiência a bordo
Os bancos traseiros© Notícias ao Minuto
O interior do EX30 Cross Country ensaiado revela uma boa construção e superfícies suaves ao tato. Os vidros traseiros escurecidos dão uma sensação de privacidade, enquanto o tejadilho panorâmico contribui para a personalidade aventureira e deixa a luz natural penetrar o veículo durante o dia e permite aos passageiros observar o céu noturno.
Os bancos são confortáveis à frente e atrás, mas a fila traseira pareceu-nos um pouco apertada – sobretudo caso os passageiros que seguem à frente sejam muito grandes e precisem de recuar mais os seus bancos.
Ao nível de bancos, os dianteiros têm ajuste elétrico e aquecimento, incluindo ainda sensores de posição da via. O volante desportivo de três raios permite colocar as mãos numa posição confortável e controladora, não havendo nada a apontar na sua aderência.
Devemos, porém, mencionar características do interior que estranhámos. A falta do painel de instrumentos clássico atrás do volante é uma delas. Os botões para operar os vidros estão deslocalizados das portas – o seu posicionamento habitual. Já o botão físico dos quatro piscas está no painel de cima, enquanto os comandos para acionar a água do limpa-para-brisas e o limpa-vidros traseiro são botões no topo da alavanca dos indicadores de mudança de direção.
Soluções estas pouco habituais e às quais leva algum tempo a habituar. E também sentimos falta de botões físicos para algumas funções essenciais – inclusive as luzes de nevoeiro, por exemplo, são ativadas no ecrã central. Funções de condução, como o One Pedal Drive, também são lá geridas, o que leva a distração.
O habitáculo pareceu-nos pouco insonorizado, ouvindo-se muito o ruído do vento gerado pelo movimento. E, do ponto de vista sonoro, o sistema de som Harman Kardon é uma mais-valia para quem gosta de ir no carro a ouvir a sua música ou rádio.
A bagageira não é bastante espaçosa, indo dos 318 litros aos 1.000 litros se os bancos traseiros forem rebatidos. No seu portão, de acionamento elétrico, encontram-se instruções sobre o que lá pode caber e dimensões.
Deisgn distintivo
Volvo EX30 Cross Country© Notícias ao Minuto
O design exterior do Volvo EX30 Cross Country também o destaca do EX30. E consideravelmente. Tem linhas robustas e que remetem para o seu espírito de todo-o-terreno.
A unidade ensaiada estava munida de uma prática prateleira de carga no tejadilho. Também se somam proteções de cárter e extensões de plástico preto nos arcos das rodas. De destacar, também, a máscara dianteira com a topografia da cordilheira de Kebbekaise na Suécia e com as suas coordenadas geográficas 67°54′0″N, 18°31′0″E.
A unidade que experimentámos tem a cor Cinza Vapour e jantes de cinco raios de 19 polegadas em tons contrastantes com os da carroçaria – grafite e preto mate.
Atualmente, o Volvo EX Cross Country está disponível em Portugal com preços a partir dos 56.528 euros, em apenas um nível de equipamento (Ultra). É um preço consideravelmente superior ao do EX30, que começa pouco acima dos 38 mil euros.
ESPECIFICAÇÕES TECNICAS
VOLVO EX30 CROSS COUNTRY
MOTOR
Posição
Um em cada eixo
Potência
428 kWh
Binário
543 Nm
TRANSMISSÃO
Tração
Integral
Caixa de velocidades
Velocidade única, shift-by-wire
CHASSIS
Suspensão
FR: Independente; TR: Independente
Travões
FR: Discos carbo-cerâmicos; TR: Discos carbo-cerâmicos
Direção
Assistência eletro-hidraulica
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt.
4.233 mm x 2.040 mm x 1.567 mm
Distância entre eixos
2.650 mm
Capacidade da mala
318 l
Capacidade de bateria
69 kWh
Autonomia
436 km (combinada)
Rodas
FR: 235/50 R19 (7,5jx19”); TR: 235/50 R19 (7,5jx19”)
Peso
2.335 kg (peso bruto)
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima
180 km/h
0-100 km/h
3,7s
Consumo misto
11,9 l/100 km
Emissões CO2
277 g/km
7
0-10
ANÁLISE
O Volvo EX30 Cross Country destaca-se pelo seu estilo aventureiro, mas não nos pareceu um off-roader puro. É divertido de conduzir, confortável no geral (embora o espaço para os passageiros de trás não abunde) e as ajudas ao condutor são eficazes e úteis. Pode ser de difícil habituação devido a algumas soluções menos convencionais como a falta do painel de instrumentos à frente do condutor – o que impossibilita, por exemplo, de conferir a velocidade de marcha no campo de visão do condutor.
Autonomia
Design todo-o-terreno
Condução divertida
Preço
Alguns controlos em localizações pouco intuitivas e falta de painel de instrumentos tradicional
Apenas um nível de equipamento
