Os motores a combustão não vão desaparecer dos automóveis europeus a partir de 2035, com a Comissão Europeia a aprovar em dezembro passado uma proposta de revisão das políticas – revendo em baixa os objetivos climáticos.
Em vez disso, aposta na redução das emissões de gases poluentes em 90 por cento (face aos valores de 2021) dos novos carros, com os restantes 10 por cento a serem compensados pelo uso de aço de baixo carbono produzido localmente ou através de combustíveis sustentáveis.
Segundo a Transport & Environment (T&E), o relaxamento das medidas europeias deverá fazer com que a quota de carros elétricos baixe para 85 por cento, em vez dos 100 por cento que se perspetivavam inicialmente.
Mas mesmo os planos iniciais não significariam a totalidade do parque automóvel composto por carros 100 por cento elétricos. As contas do estudo apontam para 17 por cento de automóveis com emissões poluentes em 2050.
No relatório publicado esta semana, a entidade admite que “os fabricantes podem vender entre 5 e 50 por cento de carros não totalmente elétricos após 2035, incluindo veículos híbridos plug-in, outros híbridos e carros a combustão convencionais“.
Também é admitido aliviar o objetivo de 2030, trocando-o por uma média a três anos no período 2030-2032, com supercréditos para os modelos pequenos 100 por cento elétricos fabricados na Europa. Segundo as contas da T&E, a quota de mercado dos carros 100 por cento elétricos poderá baixar dos 57 para os 47 por cento.
Quanto ao impacto ambiental, pode ler-se: “Se todas as mudanças propostas consideradas pela Comissão Europeia fossem introduzidas, os carros emitiriam 720 milhões de toneladas de dióxido de carbono adicionais entre 2025 e 2050” – ou seja, um aumento de dez por cento face à base regulatória.
O documento alerta na conclusão: “Enfraquecer o objetivo de carros elétricos de 2035 para permitir carros a combustão envia um sinal prejudicial que irá divergir investimento da eletrificação numa altura em que a Europa precisa de apanhar os fabricantes de veículos elétricos chineses“.
Sublinha que padrões robustos sobre as emissões de dióxido de carbono são essenciais “para impulsionar as economias de escala e a inovação no longo prazo”.
Fala, ainda, de “consequências negativas para as tendências macroeconómicas e custos sociais“. Por outro lado, a avaliação de impacto indica que a existência de mais carros a combustão levaria a “um aumento dos custos do sistema e de procura de energia” – já que são modelos menos eficientes e mais caros para os proprietários.
