O BMW i7 é uma berlina de luxo e um dos modelos 100 por cento elétricos na gama atual do fabricante. É como que o equivalente elétrico do Série 7, tendo sido originalmente introduzido em 2022.
O Auto ao Minuto teve a oportunidade de conduzir este modelo durante alguns dias na sua versão eDrive 50, tendo contacto com um automóvel de grandes dimensões (5,3 metros de comprimento) e com características que oferecem bem mais do que a condução. Fizemos percursos mistos, quer em autoestrada, quer em cidade e em estradas nacionais, apanhando também situações de trânsito em hora de ponta.
De facto, diríamos que conduzir este carro não permite desfrutar de todas as comodidades que existem no seu habitáculo – cuja insonorização se destaca. É que são os passageiros, que não precisam de estar atentos à estrada, que podem usufruir verdadeiramente de todas as comodidades do veículo sem preocupações.
Atrás, há confortáveis bancos em pele Merino, um amplo espaço para pernas (graças a uma distância entre eixos superior a três metros, há espaço de sobra), um confortável apoio para braços ao centro (se esse lugar não estiver a ser usado) e há vidros escurecidos. O tejadilho panorâmico pode fechar-se, tal como as persianas do vidro traseiro e das janelas. Os passageiros de trás podem fazer o controlo dessas cortinas através de pequenos ecrãs digitais nas portas – que também permitem aceder ao controlo da multimédia e da climatização. Não há puxadores convencionais, e sim um botão em que se carrega para abrir as portas.
A condução
Posto isto, o nosso contacto com o carro foi a conduzi-lo. A versão eDrive 50 tem tração traseira e uma potência de 455 cv, com o binário a atingir os 650 Nm. Promete uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos – algo que consideramos um registo mais do que suficiente para o tipo de carro que é, cujo peso supera as três toneladas.
Tem um acelerador bem responsivo e uma posição de condução relativamente elevada, sendo que o pedal do travão também proporciona uma sensação de controlo. O BMW i7 revelou-se confortável e fácil de conduzir, mas não é o mais ágil e dinâmico dos automóveis – o seu peso faz-se sentir em curvas, acabando por não ser um comportamento inesperado de um carro com estas características. Já a suspensão absorve muito eficazmente as irregularidades do piso.
O volante permite posicionar as mãos de forma ideal e há um banco do condutor (com opções de climatização) que não deixa nada a desejar em conforto. Na unidade ensaiada, o condutor usufrui de um prático head-up display no seu campo de visão – que exibe o essencial, como a velocidade de circulação e limites, ajudas ativadas ou até bússola. Depois, no painel de instrumentos digital na posição tradicional atrás do volante é possível consultar informações diversas – desde os consumos à autonomia projetada, passando pela visão assistida, navegação, medidor de forças G ou multimédia reproduzida. Tudo de controlo fácil e intuitivo, sem requerer grandes desconcentrações do essencial – a estrada à frente.
É prometida uma autonomia de até 612 km, graças à bateria de 101,7 kWh, que nos pareceu um pouco ambiciosa ao longo do teste. De facto, os consumos anunciados são elevados (19,1 a 20,3 kWh por 100 quilómetros) – as mais de três toneladas não ajudam.
É anunciado um tempo de carregamento dos 10 aos 80 por cento de 34 minutos. Durante a utilização, carregámos a 49 kW dos 54 aos 78 por cento em cerca de meia hora, pagando sensivelmente quatro euros.
Design e outros recursos
Por dentro, para além das funcionalidades já referidas para condutor e passageiros, encontramos um BMW i7 sóbrio, espaçoso e confortável.
Se os utilizadores quiserem, podem selecionar entre os MyModes, que adaptam o carro às preferências a cada momento – inclusive através da iluminação ambiente e dos Iconic Sounds. O Sport, por exemplo, torna os bancos mais justos na zona lombar e dota o habitáculo de um colorido a azul e vermelho remetendo para a BMW M, para além de reproduzir o Iconic Sound Sport que faz lembrar motores de combustão de outras eras.
Já o Expressive põe os bancos a dar massagens, abre o tejadilho panorâmico e dá um ambiente alegre em amarelo e azul. O Relax também está associado a um programa de massagens do banco, deixando o carro com todas as persianas fechadas e um ambiente escuro. O Silent fecha todas as persianas e põe a iluminação ao mínimo – sendo ideal para os passageiros poderem dormir numa deslocação mais longa. Há ainda o Efficient, que privilegia a eficiência – sobretudo se for ativada a autonomia máxima, que limita a velocidade a 90 km/h. Depois, o Digital Art deixa o habitáculo em tons de roxo, com as cortinas abertas, dando ainda acesso à guia de áudio da artista Cao Fei.
Não diríamos que o BMW i7 é um carro visualmente apelativo, mas sim imponente. A dianteira tem uma grelha em formato de rins de grandes dimensões, uma espécie de recorte lateral para entradas de ar, uma grelha inferior e dois planos de óticas. Há puxadores de portas não embutidos, mas inseridos no plano da carroçaria, enquanto a traseira tem um perfil mais elegante e minimalista.
Visto de lado, não parece intuitivamente um BMW, mas quem entra fica a perceber imediatamente qual é a marca – cujo ‘lettering’ está inserido em todas as soleiras de portas. E, ao abrirem-se as portas traseiras, encontra-se um 7 no pilar B.
Outros recursos incluem tomadas USB-C: duas ocultas no compartimento de arrumação da consola central à frente e outras duas no repouso para braços atrás. Já quem estiver nos bancos frontais, pode aceder a um carregador wireless para smartphones, à frente da consola central.
Ao contrário do que acontece em alguns veículos modernos, a BMW não dispensou os botões físicos, que se podem encontrar no habitáculo e no volante, e para diferentes funções. A consola central está repleta deles, incluindo um basculante para o controlo do som ou um rotativo para controlar o sistema de infoentretenimento.
Visualmente, a bagageira parece pequena, mas olhando para as especificações do automóvel constatamos que tem 500 litros de capacidade – algo que consideramos ser generoso.
Preço e comentário final
Em Portugal, o BMW i7 eDrive50 está disponível, atualmente, a partir dos 122 mil euros. Em suma, é um carro confortável, bom de conduzir, espaçoso e com características que o deixariam competente para viagens longas – não fosse a autonomia não permitir deslocações de muitas centenas de quilómetros sem reabastecer. O peso elevado tem as suas desvantagens, mas em nada torna o carro pouco prático ou ‘inguiável’. E é a demonstração que luxo e eletrificação podem andar de mãos dadas, tendo especificações, materiais e equipamento premium ao dispor.
ESPECIFICAÇÕES TECNICAS
BMW i7 eDrive50
MOTOR
Posição
Eixo traseiro
Potência
455 cv
Binário
650 Nm
TRANSMISSÃO
Tração
Traseira
Caixa de velocidades
Automática
CHASSIS
Suspensão
Suspensão pneumática
Travões
Discos ventilados (à frente e atrás)
Direção
Assistência eletrónica
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt.
5.391 mm x 1.950 mm x 1.544 mm
Distância entre eixos
3.215 mm
Capacidade da mala
500 l
Capacidade da bateria
101,7 kWh
Autonomia
Até 612 km
Tempo de carregamento 0-80%
34 minutos (corrente contínua)
Rodas
FR: 245/50 R19; TR: 245/50 R19
Peso
3.130 kg
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima
205 km/h
0-100 km/h
5,5s
Consumo misto
20,3 kWh/100 km
Emissões CO2
0 g/km
9
0-10
ANÁLISE
É um prazer conduzir o BMW i7, um elétrico que, apesar do seu considerável peso, tem um comportamento estável e previsível – embora não muito ágil. Mas não é na condução que podemos tirar o máximo partido de todas as comodidades desta berlina elétrica executiva – que oferece uma experiência de grande conforto e luxo para os passageiros que nela se desloquem.
Espaço, especialmente nos bancos de trás
Tempo de carregamento
Conforto a bordo
Estética exterior da parte dianteira
O peso sente-se no comportamento em curva
Preço
