Sem categoria Recuo nos elétricos custa milhares milhões à Stellantis. As contas

Recuo nos elétricos custa milhares milhões à Stellantis. As contas


Sem prescindir dos veículos eletrificados, a Stellantis recuou nas suas intenções iniciais, como parte de uma reestruturação que representa encargos de 22,2 mil milhões de euros ao grupo automóvel no segundo semestre do ano passado.

 

Esta é uma reestruturação dos negócios que antecede a apresentação do novo plano estratégico, agendada para 21 de maio. A Stellantis propõe “ser um farol para a liberdade de escolha”, garantindo que “continuará na vanguarda” do desenvolvimento de elétricos.

Ao mesmo tempo, não esquece aqueles para quem “a gama crescente de híbridos e motores de combustão interna avançados” constituem a opção ideal.

A mudança de planos da Stellantis incluiu o cancelamento de projetos que, diz, “não irão alcançar escala rentável”. Exemplifica com o Ram 1500 BEV.

O antigo diretor-executivo, Carlos Tavares, apontava para um futuro 100 por cento elétrico na Europa até 2030 e nos Estados Unidos da América de 50 por cento. No entanto, o ritmo de adoção deste tipo de automóveis está muito aquém de permitir atingir esses objetivos, o que levou a Stellantis a rever os seus planos sob a nova liderança. O português saiu em finais de 2024 e, no ano passado, Antonio Filosa assumiu o cargo.

O dirigente falou de uma reestruturação no âmbito “do processo decisivo” começado no ano passado, com o intuito de voltar a ter os clientes como ponto de orientação.

E Antonio Filosa assumiu: “Os encargos anunciados refletem, em grande parte, o custo da sobreestimativa do ritmo da transição energética, que nos afastou das necessidades, meios e desejos reais de muitos compradores de automóveis”. Refletem, também, o impacto da má execução operacional anterior, cujos efeitos estão a ser progressivamente abordados pela nossa nova equipa”.

Segundo o dirigente, as mudanças feitas até agora já se refletem no negócio, com um “aumento das encomendas” e o “regresso ao crescimento das receitas” em 2025. Agora, para este ano, Antonio Filosa frisou que o “foco inabalável” do conglomerado está em “colmatar as lacunas de execução do passado para dar mais impulso a estes primeiros sinais de crescimento renovado”.

Já no ano passado, os esforços da Stellantis incluíram “uma reorganização completa dos processos globais de fabrico e gestão da qualidade da empresa”, com a contratação de mais de 2.000 engenheiros. Também lançou dez novos modelos novos e anunciou um avultado investimento de 13 mil milhões de dólares nos Estados Unidos da América nos próximos quatro anos – o maior de sempre.

As expectativas da Stellantis para o fecho de 2025 passam por prejuízos entre 19 e 21 mil milhões de euros, mas receitas entre 78 e 80 mil milhões de euros.

A origem dos encargos

Estas despesas agora anunciados não surgiram de uma só vez, apesar de terem sido anunciadas no mesmo exercício semestral. Segundo a Stellantis, 14,7 mil milhões de euros dos mais de 22 mil milhões surgem do “realinhamento dos planos de produtos com as preferências dos clientes e as novas regulamentações de emissões nos EUA” – sendo que os veículos elétricos deverão ter uma procura consideravelmente mais baixa do que o esperado.

Nesta rubrica, produtos cancelados representam 2,9 mil milhões de euros, imparidade de plataformas custa seis mil milhões de euros e 5,8 mil milhões de euros estão afetos a “pagamentos em dinheiro previstos para os próximos quatro anos, relacionados com produtos cancelados” e elétricos “em curso, cujos volumes” deverão ser muito inferiores às perspetivas iniciais.

Os ajustes na cadeia de abastecimento relacionada a veículos elétricos representa 2,1 mil milhões de euros, enquanto 4,1 mil milhões de euros relacionam-se “a uma alteração na estimativa da provisão para garantias contratuais”. Contam-se, ainda, 1,3 mil milhões de euros “de outros encargos”, como os cortes de empregos que afetam, sobretudo, a Europa Alargada e que já eram conhecidos.

Stellantis vendeu quase 2,5 milhões de veículos na Europa no ano passado

A Stellantis anunciou esta segunda-feira (26 de janeiro) que vendeu quase 2,5 milhões de automóveis no ano passado – para ser o segundo maior fabricante na Europa entre todas as suas marcas.

Bernardo Matias | 14:36 – 26/01/2026

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