Sem categoria Milhares de veículos falham recolhas das marcas em Portugal. Porquê?

Milhares de veículos falham recolhas das marcas em Portugal. Porquê?


Atualmente, há cerca de 87.000 veículos identificados em campanhas de recolha das marcas em Portugal, devido a possíveis deficiências, ainda sem resolução.

 

Os números foram adiantados esta semana pelo Jornal de Negócios – e confirmados pelo Auto ao Minuto junto da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). Esta entidade criou, em dezembro, uma nova plataforma a par do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e do Instituto do Consumidor que reúne as informações sobre veículos alvo de ‘recalls’. É de fácil acesso e permite aos proprietários saber se a sua viatura está abrangida ao introduzir a matrícula ou o VIN.

No contacto que estabelecemos, a ACAP esclareceu-nos que as marcas tentam contactar os donos “por via postal, e em carta registada”, sendo a resolução dos defeitos gratuita. No entanto, há uma “taxa de insucesso muito elevada“.

Os motivos

Na mesma comunicação, a associação esclareceu que há diferentes razões possíveis. “Talvez a principal”, explicou, é a impossibilidade de contactar o atual proprietário de um veículo, devido a situações como troca de dono do automóvel sem atualização da morada.

Também há casos de desinteresse e subestimação da “gravidade da situação” por parte de quem possui a viatura alvo de recolha, e outros em que proprietários “erradamente pensam” que é uma “ação de marketing e não de segurança” – e, assim, não se deslocam ao concessionário para a reparação.

Segundo a ACAP, há “uma situação acumulada de vários anos“, sendo que a plataforma Recall pode ser consultada a qualquer momento por iniciativa do proprietário. A ideia é que contribua para uma maior “taxa de sucesso no contacto com os proprietários com ações pendentes de resolução”. Em última instância, o objetivo é melhorar a segurança rodoviária.

Não respondeu a uma recolha? Pode chumbar na inspeção

Também segundo o esclarecimento da ACAP, um veículo alvo de chamada para reparação e não a fizer, pode ser reprovado na inspeção periódica obrigatória.

Falhar um ‘recall’ pode constituir uma deficiência de tipo 2 (grave) se for relativo ao controlo de emissões ou às condições de circulação; ou de tipo 3 (muito grave), quando a recolha é relativa a “deficiências graves nas suas condições de segurança”.

É o que consta do Anexo II da Aplicação de procedimentos para as observações e verificações constantes nas inspeções periódicas aos veículos – numa deliberação do IMT que remonta a julho de 2020.

Se um veículo apresentar uma deficiência de Tipo 2 ou de Tipo 3 é reprovado na inspeção, uma vez que as condições de funcionamento podem estar seriamente afetadas – pondo em causa a segurança ou ser potencialmente lesivas ao meio-ambiente.

No caso das anomalias de Tipo 2, o automóvel tem de ser novamente inspecionado num prazo de 30 dias e não pode transportar passageiros nem carga. Já nas de Tipo 3, só é permitida a deslocação até ao local de reparação e voltar ao centro de inspeção.

O seu carro foi chamado para “recall”? Nova plataforma permite saber

A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) fez parceria com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) para criar uma nova plataforma online de informação sobre campanhas de recolha de automóveis.

Bernardo Matias | 12:40 – 05/12/2025

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